Fazer da Agricultura sector de redução da pobreza e garante da segurança alimentar

Após mais de 40 anos de independência, a Agricultura em Moçambique continua tradicional e pouco sustentável, muitos produtos básicos de primeira necessidade ainda são importados dos países vizinhos. A pobreza e segurança alimentar continuam problemáticas em zonas de grande potencial agrícola. Das várias estratégias e programas adotados a nível governamental para reverter esta situação, até agora poucos foram os resultados alcançados. Perante este cenário, organizações e instituições privadas como a Associação Comercial e Industrial e de Serviços (ACIS), a Associação de Fruticultores de Moçambique (FRUTISUL), a Gapi – Sociedade de Investimentos, SA, o Observatório do Meio Rural (OMR) e a União Nacional dos Camponeses (UNAC) uniram conhecimentos e experiências e trabalharam num documento que visa propor uma mudança no desempenho económico, social e ambiental da agricultura no país.

Uma comissão representando este grupo de organizações entregou no dia 18 de Setembro o documento ao Presidente da República, Filipe Nyusi, o qual saudou este contributo, tendo nomeado uma equipe governamental integrando três Ministérios para se estabelecerem os mecanismos de implementação das propostas apresentadas.

O documento contem um conjunto de propostas para que a agricultura, além de contribuir para o fornecimento de matérias-primas para a indústria e para as exportações seja também “o sector fundamental na redução do número de pobres e das desigualdades sociais e para o equilíbrio do território e redução de fenómenos migratórios forçados e redução de elementos potenciadores de conflitos de diferentes naturezas, assegurando a soberania alimentar do país”.

A comissão representativa das cinco organizações decidiu partilhar as suas propostas com o público, tendo para o efeito organizado uma conferência de imprensa no passado dia 23 de Outubro, a qual foi coordenada pelo economista e professor João Mosca. A Gapi, sendo uma Instituição Financeira de Desenvolvimento sublinhou as questões relacionadas com o sistema de financiamento às pequenas empresas e às finanças rurais.

A directora de Operações da Gapi, Anabela Mucavele enfatizou “que o sistema financeiro actual moçambicano é excludente e sem estrutura para responder as questões da agricultura”, tendo sublinhado três prioridades:

“- O estabelecimento de um sistema institucional de gestão transparente de recursos para promoção de serviços financeiros rurais;

– Utilização dos fundos para promoção de uma rede de instituições privadas rurais de base comunitária/cooperativa.

– Incentivo à adopção de novas tecnologias que suportem a massificação no acesso a serviços financeiros e tecnologia.”

“Neste momento o País não tem recursos financeiros suficientes para subsidiar a agricultura, no entanto o maior problema com o qual nos deparamos é o facto dos poucos recursos existentes não estarem a ser encaminhados através de instituições estruturadas e capazes de trazer resultados.” – referiu a directora Anabela Mucavele na conferência de imprensa.

O documento pode ser acedido na íntegra, na janela das publicações.

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